Meses antes dos tais 4 dias e meio de folia já se houve rumores sobre a festa.
Os mais organizados iniciam os preparativos, combinam com amigos, imaginam fantasias impossíveis para que a mágica aconteça.
Para aqueles que não curtem, só há bagunça, cidade cheia, algazarra e balbúrdia por longos e intermináveis 4 dias e noites. A cidade torna-se um mar de bêbados que pensam ser seus amigos de infância, o trânsito está um caos, as praias tomadas por turistas de todos os cantos do país e do mundo. De repente, as séries, a TV e a pipoca são seus melhores amigos do mundo inteiro por 4 rotações da Terra.
Para a parte feliz e sonhadora dos cidadãos, há dias de andanças sem fim atrás do bloco "botado" na rua, fantasias calorentas (ou não) e purpurina até no sabonete da quarta-feira de cinzas. Cinzas, só se forem das fogueiras apagadas de luais na praia, pois a folia não termina enquanto os foliões não quiserem que assim seja. Não há calendário que determine o fim desse espetáculo enquanto os principais participantes ainda estiverem em cena.
Há a alegria, a amizade instantânea ou aquela construída nas últimas semanas de perrengues em ensaios e treinos, há a mágica. Acredite ou não, carnaval é uma época mágica! Para quem não pode mergulhar de cabeça no mundo de cores e plumas o ano inteiro, o carnaval é uma época de libertação, autoconhecimento até. As possibilidades começam a parecer infinitas até mesmo para a vida pós festa. O carnaval traz idéias, coragem, a armadura para o personagem da vida que você quer encarnar. Encarnar, vestir a carne. Carne esta que é dona da festa. Não haveria de ser o Carnaval, em verdade, o Alegrival? Ou a Felicidaval?
De fora, parece impossível entender todos aqueles "Foi mágico!", "foi incrível", "amo vocês" trocados entre amigos de bloco. De dentro, parece impossível não querer agradecer a todos pelos momentos vividos, pela felicidade sem fim representada naqueles poucos minutos do ano, pelas risadas, pelos tombos, pela correria e pelos quilômetros percorridos em tão pouco tempo.
Alegrival é uma maratona de pequenos e infinitos prazeres compartilhados com estranhos.
Carnavalizar-se é vestir-se de sorrisos e correr de braços abertos para o mundo. É observar o mundo em festa lá do alto e ao mesmo tempo fazer parte da bagunça. Carnavalizar-se é ser super-herói, é ser palhaço na vida e ainda assim ser capaz de criticar a sociedade em que vivemos. É usar e usufruir do espaço público que em dias (in)úteis passam despercebidos como parte da rotina e da correria cotidiana. É despir-se de medos e julgamentos. É ocupar, é desobedecer. É voar bem alto e pousar suave.
"Ocupem. Desobedeçam."
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