sexta-feira, 26 de setembro de 2014

ato contínuo

Parece juridiquês. E é!

Nem todos entendem a fluidez da expressão, mas ela é só isso mesmo que se apresenta: um ato contínuo a outro. Sem interrupção, imediatamente, em seguida, logo após, prontamente e sem demora!

Ato contínuo a todos os meus planos furados de sempre, algumas coisas deram certo, outras estagnaram, outras evoluem quase que em marcha ré de tão lentas. Para as últimas, ao menos não estão paradas. Sempre gostei da frase clichê do "é melhor crescer lentamente que ficar parado", famoso provérbio japonês dos livros de português do ensino fundamental, para o qual ninguém dava o devido valor (nem eu), mas que expressa toda a inércia do crescimento, que em movimento assim permanece. 

Ato contínuo ao plano de viajar, viajei. Sozinha, sem lenço e com documentos ou a polícia rodoviária não me deixaria passar. Das experiências que tive, certamente viajar sozinha foi a mais surpreendentemente positiva: conhecer pessoas que parecem, realmente, amigos de infância mesmo que suas línguas nativas estejam longe de serem parecidas; juntar em um só lugar pessoas de todos os continentes do mundo, estilos de vida e de viagem que você nem pensou ser possível; andar sem rumo com um sorriso bobo no rosto só por ter aquele momento só para você; desfrutar da paisagem e se maravilhar até com as cores do outono. É o lugar comum, que de comum não tem nada. Uma experiência para ser vivida, sentida, enlouquecida.

Ato contínuo ao plano de não gastar, gastei. Das voltas que a vida dá, até o melhor plano de recuperação de finanças pessoais escorrega pela loucura de ver sua conta e saber que "tudo" aquilo é seu, mesmo que seja somente vinte centavos. Não é só pelos vinte centavos, diriam os revolucionários. E não é mesmo! Se quer saber, essa ideia é pelos preços abusivos de quem faz, sem fazer diretamente e uma escorregadela não faz a ideia morrer. Dentre meus muitos planos loucos, juntar uma grana até o limite do limite é o ponto de partida para todos, e segue firme!

Ato contínuo, quero continuar. E pensar, e viver, e viajar, e ganhar na mega sena, e ser garota propaganda do bau da felicidade rodando o peão, e conquistar a casa própria, e viver um ano sabático viajando, e terminar a faculdade, e tirar a OAB, e largar tudo e sair correndo, e mudar de cidade, de estado, de país, e colocar a tal veia artística para fora e confirmar que o meu caminho é por aí, e conseguir fazer mais do que só pensar em todas essas coisas que só beneficiam a mim, para beneficiar aos outros, e me sentir útil, mesmo de forma inútil.

Ato contínuo, quero escrever, me expressar, me libertar, fugir da rotina e da monotonia do ambiente engravatado (e eu nem uso gravatas!), desenhar, costurar, exibir minha(s) tatuagem(ns) por aí e não ser julgada por isso. Esse tal de "ato contínuo" pode ser mesmo continuado, viu?

Ato contínuo, só não quero parar.

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